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Programação Neurolinguística é terapia?

Compilação de ideias sobre PNL e terapia por André Percia

Psicólogo Clínico e Master Trainer em PNL

A arte em si não é terapia. No entanto, a arte usada na terapia cria a arte terapia. Música em si não é terapia. Música na terapia vira musicoterapia. E se funciona junto a uma proposta de terapia estruturada, é parte da terapia.

Programação Neurolinguística (PNL) é uma abordagem psicológica que envolve a análise de estratégias utilizadas por indivíduos bem sucedidos e que pode ser direcionada para alcançar um objetivo pessoal. Relaciona pensamentos, linguagem e padrões de comportamentos aprendidos através da experiência a resultados específicos.

A programação neurolinguística foi desenvolvida na década de 1970 na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz. Seus principais fundadores são John Grinder , linguista, e Richard Bandler , cientista da informação e matemático. 

O primeiro livro de Grinder e Bandler sobre PNL, Estrutura da Magia: Um Livro sobre Linguagem da Terapia , foi lançado em 1975. Nesta publicação, eles tentaram destacar certos padrões de comunicação que definem os comunicadores considerados excelentes, além de outros.

Grande parte do livro foi baseado no trabalho de Virginia Satir , Fritz Perls e Milton Erickson . Também integrou técnicas e teorias de outros renomados profissionais de saúde mental e pesquisadores como Noam Chomsky , Gregory Bateson , Carlos Castañeda e Alfred Korzybski. O resultado do trabalho de Grinder e Bandler foi o desenvolvimento do metamodelo da PNL, uma técnica que eles acreditavam poder identificar padrões de linguagem que refletissem os processos cognitivos básicos.

A evolução da PNL

Hoje, a PNL é usada em uma ampla variedade de áreas, incluindo aconselhamento, medicina, direito, negócios, artes cênicas, esportes, militares e educação.

Modelagem, ação e comunicação efetiva são elementos-chave da programação neurolinguística. A crença é que, se um indivíduo puder entender como uma outra pessoa realiza uma tarefa, o processo pode ser copiado e comunicado aos outros para que eles também possam realizar a tarefa.

Os proponentes da programação neurolinguística propõem que todos temos um mapa pessoal da realidade. Aqueles que praticam a PNL analisam suas próprias perspectivas e outras para criar uma visão geral sistemática de uma situação. Ao entender uma gama de perspectivas, o usuário da PNL ganha informações. Os defensores desta escola de pensamento acreditam que os sentidos são vitais para o processamento da informação disponível e que o corpo e a mente influenciam uns aos outros. A programação neurolinguística é uma abordagem experiencial. Portanto, se uma pessoa quiser entender uma ação, ela deve realizar a mesma ação para aprender com a experiência.

Os conceitos e práticas terapêuticas envolvendo a PNL

Um conceito central da PNL pode ser resumido pelo ditado: “O mapa não é o território”, porque destaca as diferenças entre crença e realidade. Aponta que cada pessoa opera dentro de sua própria perspectiva e não de um lugar de objetividade. Os proponentes da PNL acreditam que a percepção de todos do mundo é distorcida, limitada e única. 

Um terapeuta que pratica a PNL deve, portanto, compreender como uma pessoa em tratamento percebe seu “mapa” e o efeito que essa percepção pode ter nos pensamentos e no comportamento dessa pessoa.

O mapa do mundo de um indivíduo é formado a partir de dados recebidos pelos sentidos. Essas informações podem ser auditivas, visuais, olfativas, gustativas ou cinestésicas. Os profissionais de PNL acreditam que esta informação difere individualmente em termos de qualidade e importância, e que cada pessoa processa experiências usando um sistema representacional primário. Para um terapeuta de PNL trabalhar efetivamente com uma pessoa em tratamento, o terapeuta deve tentar combinar o sistema desse indivíduo para usar seu mapa pessoal. Profissionais de PNL acreditam que é possível acessar sistemas representacionais usando dicas, como movimentos oculares.

Os terapeutas de PNL trabalham com as pessoas para entender seu pensamento e padrões de comportamento, estado emocional e aspirações. Examinando o mapa de uma pessoa, o terapeuta pode ajudá-lo a encontrar e fortalecer as habilidades que melhor servem a eles e ajudá-los a desenvolver novas estratégias para substituir as improdutivas. Este processo pode ajudar as pessoas em terapia a alcançar os objetivos do tratamento.

Os defensores da PNL afirmam que a abordagem produz resultados rápidos e duradouros e melhora a compreensão dos padrões cognitivos e comportamentais. A PNL também procura construir uma comunicação eficaz entre os processos mentais conscientes e inconscientes para ajudar as pessoas a aumentar a criatividade e as habilidades de resolução de problemas. Alguns defensores da PNL comparam a abordagem à terapia cognitivo-comportamental (TCC), mas afirmam que mudanças positivas podem ser feitas com a PNL em menos tempo.

terapia

Os problemas psicossomáticos que podem ser amenizados com PNL

Desde a sua criação, a programação neurolinguística tem sido usada para tratar uma ampla gama de questões. Esses incluem:

  • Ansiedade , fobias e pânico
  • Problemas de comunicação
  • Estresse pós-traumático
  • Depressão
  • Hiperatividade déficit de atenção
  • Vício
  • Esquizofrenia
  • Obsessões e compulsões
  • Personalidade borderline

A PNL é uma ferramenta brilhante a ser usada em conjunto com qualquer processo terapêutico para obter resultados efetivos e duradouros e melhorar a qualidade da terapia.

Seu espírito é construído sobre a ideia de “ir por isso”. Simplificando, a PNL é uma atitude! Com essa atitude, a PNL analisa métodos de criação de modelos (baseados em necessidades). O modelo primário aqui é o modelo de comportamento humano.

Ele fornece uma perspectiva muito útil sobre o porquê e como de comportamento, as várias estratégias que as pessoas usam para continuar se comportando da maneira que se comportam. Isso ajuda o terapeuta a entender a força motriz por trás do comportamento indesejado.

A PNL também consiste em várias ferramentas / técnicas práticas que se concentram na construção de certas habilidades que por si mesmas não são terapêuticas, mas aumentam a eficácia de qualquer modalidade terapêutica. Por exemplo, certas técnicas de PNL são muito úteis para construir rapport. Agora, o rapport por si só não será terapêutico, ao mesmo tempo, é um fato bem conhecido que a qualidade do relacionamento entre o terapeuta e o cliente tem uma grande influência na qualidade e efetividade da terapia.

No entanto, nem todo mundo tem essas habilidades. Com a PNL, incorporamos habilidades como rapport, perguntas (Meta model e Inverse meta model), observação e calibração eficientes etc. como parte do programa (ps não estou dizendo que outras terapias não! Alguns fazem, alguns dão e está tudo bem). Essas técnicas são uma delícia para o terapeuta. Os profissionais de saúde mental, que usaram, provavelmente concordarão!

Assim, a PNL se torna um ótimo complemento para um terapeuta. A abertura para a experimentação, curiosidade e zelo para trabalhar com os clientes para provocar uma mudança, em geral, aumenta a qualidade do processo.

Outro aspecto da PNL que realmente gostamos é o foco em ajudar os clientes a se concentrarem nas habilidades necessárias para criar a mudança necessária e usar métodos / técnicas diferentes para ajudá-los a desenvolver e aplicar essas habilidades de maneira eficaz.

Mais do que uma terapia!

Brief NLP Therapy (Brief Therapies Series) de Ian McDermott é um dos muitos trabalhos que mostram os benefícios da PNL na terapia psicológica e como a PNL é um sistema que se ajusta perfeitamente a outras abordagens. Nesta obra ele escreve: “Então, o que há de especial na contribuição da PNL para a prática da terapia e, especificamente, para a terapia breve?

Em primeiro lugar, uma vez que seus métodos foram derivados de estudos detalhados de terapeutas de destaque, ele oferece aos profissionais a oportunidade de aumentar sua eficácia.

Extrapolado de uma prática excelente, a PNL oferece ferramentas práticas que funcionam e uma maneira de pensar que oferece aos terapeutas e aos clientes novas maneiras de compreender e explorar como criamos um mundo para nós que pode ser o paraíso ou o inferno. Assim como seu repertório terapêutico é baseado em semelhanças – valores, pressupostos, habilidades de comunicação e mudança – compartilhadas por abordagens muito diferentes, também pode ser usado com eficácia por profissionais de várias escolas.

A PNL faz a pergunta ‘Como eles fazem isso?’ ± não apenas sobre os profissionais qualificados que seus fundadores estudaram, mas também sobre a maneira como os seres humanos estruturam suas experiências e dão sentido a seus mundos.

É essa curiosidade, com sua excitação concomitante, que Rogers descreveu como parte de sua experiência. Isso anda de mãos dadas com uma atenção respeitosa à experiência dos clientes que buscam ajuda – e às maneiras como esses clientes estruturam as partes de suas vidas nas quais funcionam bem e com facilidade.

Ele continua a exercer nossa consciência crescente de como nós também estruturamos nossos mapas de ‘realidade’; e torna a experiência de trabalhar com PNL uma aventura pessoal, assim como profissional. Em consonância com isso, decidimos escrever um livro que visa explorar algumas das características-chave do trabalho breve de mudança terapêutica com PNL”.

Definitivamente meu trabalho como psicólogo clínico ficou muito melhor com os padrões e abordagens da PNL. Clientes sentem-se progredindo e sentem a mudança acontecendo mais rapidamente. Embora algumas técnicas sejam pontuais, o conjunto delas aplicadas a um propósito ou dinâmica psicológica ajuda a promover mais e melhores insights tanto para terapias breves e focais quanto para terapias de longa duração.

Você também poderá gostar de ler esse artigo: 3 técnicas básicas de PNL para trazer mais sucesso ao seu negócio

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O que é síndrome de burnout?

A síndrome de Burnout (do inglês to burn out, Algo como queimar por completo), também chamada de Síndrome do esgotamento Profissional, foi assim denominada pelo psicanalista alemão  Freudenberger, após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 70.

Muitas pessoas brilhantes estão, neste momento, em estados mentais que limitam sua capacidade. E isso é terrível para suas carreiras.

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Quais são as causas da Síndrome de Burnout?

A síndrome de burnout é um distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema, sempre relacionada ao trabalho de um indivíduo. Essa condição também é chamada de “síndrome do esgotamento profissional” e afeta quase todas as tarefas da vida de um indivíduo.

Ela é o resultado direto do acúmulo excessivo de estresse, de tensão emocional e de trabalho e é bastante comum em profissionais que trabalham sob pressão constante, como médicos, publicitários e professores.

Toda essa pressão, ansiedade e nervosismo resultam em uma depressão profunda, que precisa de acompanhamento médico constante.

A tendência é que a síndrome de burnout se torne cada vez mais comum, sendo que seu diagnóstico é realizado por meio de uma consulta médica com um psicólogo ou um psiquiatra.

Os Sintomas da Símdrome de Burnout

Nos dias de hoje você recebe uma quantidade enorme de informação, estimulando ainda mais que o quadro seja cada vez mais comum, o que dificulta o processo criativo e de inovação.

Entre os sintomas estão:

– Cansaço mental e físico excessivos;

– Insônia;

– Dificuldade de concentração;

– Perda de apetite;

– Irritabilidade e agressividade;

– Lapsos de memória;

– Baixa autoestima;

– Desânimo e apatia;

– Dores de cabeça e no corpo;

– Negatividade constante;

– Sentimentos de derrota, de fracasso e de insegurança;

– Isolamento social;

– Pressão alta e

– Tristeza excessiva.

O tratamento

Algumas estratégias utilizadas para lidar com o estresse são:

  • Realizar atividades de relaxamento;
  • Organizar o tempo e decidir quais são as prioridades;
  • Manter uma dieta equilibrada ou balanceada e fazer exercícios;
  • Discutir os problemas com colegas de profissão;
  • Tirar o dia de folga;
  • Procurar ajuda profissional na medicina convencional ou terapias alternativas;
  • Se permitir reservar tempo para conversar e relaxar com amigos e familiares;
  • Participar de cursos e workshops;
  • Fazer mais elogios a si mesmo, reforçar suas práticas e respeitar seu trabalho;
  • Praticar pelo menos uma atividade física;
  • Delegar, ou ser aconselhado nas tomadas de decisão e melhorar a comunicação.
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Como você pode ver, o burnout relaciona-se estreitamente com as condições desmotivadoras no trabalho. o que afeta, na maioria dos casos, o desempenho do profissional. A ausência de fatores motivacionais acarreta o estresse profissional, fazendo com que o profissional largue seu emprego, ou, quando nele se mantém, trabalhe sem muito apego.

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Hipnoterapia Mas afinal, o que é hipnoterapia?

Hipnoterapia é uma prática muito eficiente para mudar crenças ou comportamentos e produz resultados bem imediatos. Essa prática funciona combinando hipnose e terapia com objetivos orientados e específicos, com foco no uso de recursos da mente subconsciente ou inconsciente. Alguns pacientes podem preferir ou responder melhor a outros tipos de terapia.

Hipnoterapia não é uma panaceia que cure todos os males e problemas da humanidade como muitos insistem em vender! Quando em transe, o corpo da pessoa não sabe a diferença entre o que é imaginado e o que é real. As respostas corporais são as mesmas. No entanto, no nível mental, o paciente sabe que está imaginando apesar de responder fisicamente como se tivesse acontecendo. Isso faz da hipnoterapia um excelente recurso para mudanças poderosas. Hipnoterapia: Uma Reavaliação As informações abaixo têm como base o artigo “Hipnoterapia: uma reavaliação”, por Alfred A. Barrios, que consiste numa compilação das principais informações sobre a hipnoterapia .

 • Ao longo dos anos, houve surtos periódicos de grande interesse em hipnose. Muitos fenômenos extraordinários têm sido atribuídos aos seus efeitos e grandes reivindicações feitas quanto à sua eficácia na terapia. No entanto, apesar de tais afirmações, ainda parecem ser relativamente poucos os tera Fonte: site http://michelmansur.com.br/atendimentos/hipnoterapia 114 terapeutas usando a hipnose como uma ferramenta importante. Por quê?

Será que é porque as críticas geralmente dirigidas à hipnose são verdadeiras? Que é superestimada, na verdade limitada a uma pequena gama de problemas, incapaz de produzir mudanças duradouras? Será que a remoção dos sintomas pela hipnose leva a novos sintomas? É perigosa? Não, existem demasiadas evidências clínicas contradizendo estas declarações. Tal evidência não pode mais ser ignorada.

 • Percebe-se que a razão principal por trás da rejeição da hipnose tem sido o fato de ser uma desconhecida para praticamente a maioria das pessoas. Parece ser de natureza humana evitar ou rejeitar qualquer coisa que não pareça se encaixar, ou ser explicada racionalmente, especialmente quando esta parece ser algo potencialmente poderosa.

 • Houve 1.018 artigos relacionados à hipnose nos últimos três anos (1966 a 1968), aproximadamente quarenta por cento destes relativos ao seu uso em terapia.

 • No mesmo período encontramos 899 artigos sobre terapia psicanalítica e 355 em terapia comportamental

. • Ao contrário da opinião popular de que a hipnose somente é eficaz em certos casos específicos de remoção de sintomas, uma vasta gama de categorias de diagnósticos foi tratada com sucesso através da hipnoterapia. Isso inclui reação de ansiedade, neurose obsessivo-compulsiva, reações histéricas e desordens sociopáticas (HUSSAIN, 1964), bem como epilepsia (STEIN, 1963), alcoolismo (CHONG TONG MUN,1966), frigidez (RICHARDSON,1963), gagueira e homossexualidade (ALEXANDER,1965), várias desordens psicossomáticas, incluindo asma, abortos espontâneos, dismenorreia, rinite alérgica, úlceras, dermatite, infertilidade e hipertensão (CHONG TONG MUN, 1964, 1966). Também, nos últimos anos, um número crescente de relatos indica que as psicoses são bem tratáveis com a hipnotera- 115 pia (ABRAMS, 1963, 1964; BIDDLE, 1967).

 • Três estudos em larga escala nos últimos cinco anos contêm resultados básicos.

• O estudo de Richardson (1963) lidou com setenta e seis casos de frigidez. Ele relata que 94,7% das pacientes melhoraram. O número médio de sessões necessárias foi 1,53. O critério para julgamento de melhora foi o aumento na porcentagem de orgasmos. A porcentagem de orgasmos subiu de uma média pré-tratamento de 24% para a média pós-tratamento de 84%. Acompanhamentos (período exato não relatado) demonstraram que somente duas pacientes foram incapazes de continuar a alcançar o clímax na mesma porcentagem apresentada quando o tratamento terminou. O método de tratamento de Richardson foi uma combinação de remoção direta de sintomas, exposição e remoção de causas encobertas, pois ele descobriu que somente a remoção direta de sintomas nem sempre era suficiente. Ele não relata fracassos de indução hipnótica.

 • O estudo de Chong Tong Mun (1964; 1966) abrangeu 108 pacientes que sofriam de asma, insônia, alcoolismo, dismenorreia, dermatite, estado de ansiedade e impotência. A porcentagem de pacientes que foram relatados como tendo melhora foi de 90%. O número médio de sessões foi cinco. O critério para julgamento de melhora foi a remoção ou a melhora dos sintomas. O período médio de acompanhamento foi de nove meses. O método de tratamento de Chong Tong Mun foi uma abordagem tripla. Com alguns pacientes ele trabalhou na reeducação do paciente em relação aos padrões de comportamento imediatamente subjacentes aos sintomas. Com outros ele primeiro retrocedeu o paciente de volta ao princípio original do sintoma. Após retroceder, ele reeducou o paciente para o fato de que a causa original não mais estava operante. Além disso, ele geralmente usava sugestões adicionais de remoção direta de sintomas. 

 • O estudo de Hussain (1964) relata 105 pacientes que sofriam de alcoolismo, promiscuidade sexual, impotência e frigidez, transtornos sociopáticos da personalidade, reações histéricas, transtornos de comportamento, transtornos de crianças em idade escolar, transtornos da fala e outras doenças psicossomáticas diferentes. A porcentagem de pacientes reportados como tendo melhorado foi de 95,2%. 

O número de sessões necessárias varia entre quatro e dezesseis. O critério para julgamento de melhora foi a completa ou quase completa remoção de sintomas. Em acompanhamentos que variaram de seis meses a dois anos, nenhum caso de recaída ou substituição de sintomas foi notado.

 • O uso principal da hipnose não é um meio de remoção direta de sintomas. Nem é o seu uso principal um método de descobrimento. A tendência atual é usar a hipnose para remover atitudes negativas, medos, padrões de comportamento que não se adaptam e auto imagens negativas subjacentes aos sintomas. O descobrimento de causas e remoção direta de sintomas ainda é usado até certo ponto, mas geralmente em conjunto com esta nova função principal.

 • A hipnoterapia psiquiátrica, tal como praticada hoje em dia pelos mais destacados médicos da área, têm em comum com todas as outras formas de tratamento psiquiátrico moderno o fato de se preocupar não somente com os sintomas apresentados, mas principalmente com o impasse dinâmico no qual o paciente se encontra e com sua estrutura de caráter (ALEXANDER, 1965).

 • A objeção de que os resultados da remoção de sintomas raramente será permanente certamente não é válida. Isso pode ter sido assim no passado, quando apenas a remoção era praticada e nada era feito para fortalecer a habilidade do paciente de lidar com sua dificuldade ou de encorajá-lo a ficar “de pé por si só” (HARTLAND, 1965). 117 • Muitos terapeutas rejeitaram a hipnose porque sua abordagem direta do sintoma no passado chocou-se violentamente com a abordagem dinâmica deles. Agora vemos que tal conflito não mais precisa existir.

 • Alguns hipnoterapeutas usam, em parte, uma abordagem histórica, regredindo até a infância do paciente e mudando suas atitudes em relação às causas destes padrões (FROMM, 1965; ABRAMS, 1963; CHONG TONG MUN, 1964; 1966). No entanto, em sua maior parte, a hipnoterapia é não histórica e, aparentemente, mais rápida. Se quiséssemos mudar a direção de um rio, seria muito mais fácil trabalhar sobre a corrente principal diretamente (uma vez localizada) do que subir rio acima, localizando todos os afluentes e apontando cada um em uma nova direção.

 • No passado, certos perigos foram atribuídos à hipnose, por exemplo: o perigo de uma crise psicótica, ou a substituição de sintomas mais prejudiciais. De acordo com vários pesquisadores (KROGER, 1963; ABRAMS, 1964), esses perigos foram excessivamente exagerados. Entretanto, quaisquer perigos que havia, foram virtualmente eliminados por esta nova abordagem. Os poucos acidentes que ocorreram no passado resultaram (1) do uso inapropriado da hipnose como um agente de revelação, ou (2) seu uso inapropriado como forma de remoção direta de sintomas. O primeiro tipo de uso inapropriado foi produzido por terapeutas que permitiam, ou forçam, que o paciente se tornasse consciente de informações reprimidas sem ser forte o suficiente para enfrentar. O segundo tipo de uso inapropriado ocorreu quando os terapeutas arrancavam um sintoma que o paciente usava como muleta, antes deste estar suficientemente forte para andar por si só.

 • Freud abandonou a hipnose por causa do “pequeno número de pessoas que podiam ser colocadas num estado profundo de hipnose”, naquela época, e porque na abordagem catártica, os 118 sintomas desapareciam primeiro, mas reaparecem mais tarde se a relação paciente-terapeuta fosse perturbada (FREUD, 1955, p. 237). Nos estudos acima, os únicos fracassos em indução hipnótica foram relatados por Chong Tong Mun (oito (8) fracassos em 108 pacientes). Isto pode significar uma entre duas coisas: os procedimentos de indução hipnótica melhoraram desde a época de Freud, ou que a abordagem de recondicionamento usada nestes estudos (em contraste com a abordagem catártica de Freud) não requer níveis muito profundos de hipnose. Existem evidências de que ambos os fatores podem estar envolvidos.

• Embora muitos tivessem pensado que a suscetibilidade hipnótica era um conjunto de traços de personalidade, existem vários estudos que agora parecem indicar que este não é o caso e que a responsividade pode ser aumentada por certas mudanças no procedimento de indução hipnótica (PASCAL; SALZBERG, 1959; SACHS; ANDERSON, 1967; BAYKUSHEV, 1969), bem como através de uma conversa introdutória (pré-talk) voltada a assegurar uma atitude positiva, uma expectativa apropriada e uma alta motivação em relação à hipnose (DORCUS, 1963; BARBER, 1969; BARRIOS, 1969).

 • Em relação à profundidade de hipnose necessária para a abordagem de recondicionamento funcionar, existem vários terapeutas que sentem que somente um estado leve de hipnose é necessário (VAN PELT, 1958; KLINE, 1958; KROGER, 1963). Um estudo por Barrios (1969) dá a esse argumento algum suporte: foi verificado que um aumento na condição da resposta salivar podia ser produzido quase tão eficazmente por níveis mais leves de hipnose quanto por níveis mais profundos.

 • A última afirmação nos faz indagar se a indução hipnótica é de algum modo necessária para que a abordagem de recondicionamento funcione. A julgar pelo trabalho de Wolpe (1958), parece que a hipnose não é um requisito absolutamente ne- 119 cessário. Esta ideia também seria apoiada pelo trabalho de Barber (1961, 1965), que descobriu que fenômenos hipnóticos podem ser produzidos sem uma prévia indução hipnótica. No entanto, a verdadeira questão a ser respondida não é se a indução hipnótica é absolutamente necessária, mas se ela pode, além disto, simplificar o processo de condicionamento. O próprio Wolpe concorda que a hipnose aparentemente simplifica o condicionamento: “Os pacientes que não podem relaxar não vão avançar com este método. Aqueles que podem ou não serem hipnotizados, mas que podem relaxar, vão fazer progressos, embora, aparentemente, mais lentamente do que quando a hipnose é usada” (WOLPE, 1958, p. 141, grifo do autor).

 • Tal como observado na teoria (BARRIOS, 1969), a sugestão hipnótica e em estado de alerta estão no mesmo espectro e a indução hipnótica deveria ser considerada como um procedimento através do qual podemos aumentar a probabilidade de obtermos uma resposta mais positiva à sugestão. A próxima questão a ser decidida agora não é se os procedimentos de indução hipnótica aumentam a responsividade (isto é muito bem aceito – por exemplo, BARBER, 1969), mas quais variáveis na indução hipnótica estão agindo como fatores chaves e o que pode ser feito para fortalecer a eficácia destes fatores.

• Na comparação de Wolpe das abordagens da psicanálise e de sua própria (WOLPE; SALTER; REYNA, 1964), verificamos o seguinte: baseado em todos os pacientes psiconeuróticos analisados, o número de pacientes curados ou que tiveram grande melhora através da psicanálise foi de: 45% em um estudo envolvendo 534 pacientes e 31% em outro estudo envolvendo 595 pacientes (os únicos dois estudos em larga escala na literatura sobre psicanálise). A duração média de tratamento para os pacientes com melhora (informada somente no primeiro estudo) foi de três a quatro anos com uma média de três a quatro sessões por semana, ou uma média de aproximadamente 600 sessões por paciente.

Na abordagem de Wolpe, verificamos, com 120 base em todos os pacientes analisados, que a taxa de recuperação foi de 65% em seu próprio estudo envolvendo 295 pacientes (geralmente relatados como 90% de 210 pacientes) e 78% num estudo de Lazarus envolvendo 408 pacientes. A duração do tratamento para os pacientes com melhora foi na média de trinta sessões no primeiro estudo e quatorze no Segundo.

• Calculando as estatísticas acima, concluímos que a hipnose ainda é encarada como uma prática “desconhecida” pela maioria dos terapeutas. Estes ainda não estão cientes de qualquer explicação racional para os fenômenos hipnóticos que os satisfizesse, uma explicação que colocasse esses fenômenos ao nível de fatos e leis observáveis. Enquanto a hipnose continuar a emitir um cheiro de misticismo e charlatanismo, ela continuará a ser rejeitada por muitos, não importando quão grandes sejam as reivindicações em seu nome.

• O terapeuta experiente realmente não deveria se surpreender com a eficácia da hipnose em simplificar a terapia. A indução hipnótica pode ser vista como uma técnica para estabelecer um rapport (entenda-se “empatia”) bem intenso, para estabelecer maior segurança, maior crença no terapeuta, pelo qual suas palavras serão muito mais eficazes. Para a teoria Wolpiana (também conhecida por “comportamental”), podemos esperar uma incidência de melhora de 72%, após uma média de 22 sessões e com a hipnoterapia podemos esperar uma incidência de melhora de 93%, após uma média de seis sessões.

• É interessante notar a correlação negativa entre o número de sessões e a porcentagem de incidência de melhora. À primeira vista isso parece paradoxal. No entanto, se uma forma de terapia é verdadeiramente eficaz, esta não apenas deveria aumentar a incidência de melhora, mas também encurtar o número de sessões necessárias (bem como ampliar a gama de casos tratáveis).

• Apesar de todos os relatórios encorajadores, continua a ser considerável a hesitação por parte dos psicoterapeutas para usarem a hipnose.

• Assim como Sundberg e Tyler (1962) observaram, uma das características comuns entre todos os métodos de psicoterapia é a tentativa de criar um forte relacionamento pessoal que possa ser usado como um veículo de mudança construtiva… É um fato significativo que muitos escritores teóricos, à medida que suas experiências aumentam, vêm a dar muito mais ênfase nesta variável (Sundberg e Tyler, 1962, p. 293-294).

• A questão que permanece, no entanto, é esta: qual é exatamente o processo pelo qual “meras palavras” podem produzir enormes mudanças na personalidade?

• Tal como observa a teoria da hipnose de Barrios (1969), a capacidade das palavras produzirem mudanças não é realmente tão difícil de compreender se estivermos familiarizados com os princípios do condicionamento de ordem superior. Primeiramente, sabemos que palavras podem agir como estímulos condicionados. Pavlov reconheceu este fato: Para o ser humano, obviamente a fala fornece estímulos condicionados que são tão reais como qualquer outro estímulo. A fala, levando-se em conta toda a vida precedente do adulto, está ligada com todos os estímulos internos e externos que podem alcançar o córtex, sinalizando todos eles e substituindo todos eles, podendo, portanto, trazer à tona todas aquelas reações do organismo que normalmente são determinadas pelos próprios estímulos reais (PAVLOV, 1960, p. 407).

• Hoje em dia, de acordo com os princípios do condicionamento de ordem superior, sabemos que ao unirmos a palavra 122 B com a palavra A transferiríamos a resposta produzida pela palavra B para a palavra A e consequentemente qualquer coisa que evocar a palavra A. Dessa maneira, por exemplo, se quisermos condicionar uma pessoa para ficar mais relaxada na presença das pessoas, uniremos as palavras “pessoas” (A) e “relaxada” (B), usando uma sentença ou sugestão tal como: “De agora em diante você se sentirá mais relaxada na presença das pessoas”. As formulações teóricas de Mowrer sobre as frases como um mecanismo condicionador (MOWRER, 1960) tendem a sustentar esta alegação. Naturalmente, sabemos que sob circunstâncias normais as sugestões não são sempre aceitas (e, portanto, o condicionamento nem sempre acontece quando uma sugestão apropriada é dada). Por que isso acontece?

• Osgood (1963) acredita que uma sugestão tenderá a ser rejeitada se for incongruente com as crenças e atitudes prévias do indivíduo ou suas percepções atuais. Parece então que se houvesse meios de eliminar estas últimas, seríamos capazes de ter uma sugestão mais prontamente aceitável, simplificando então o condicionamento de ordem superior. A hipnose é um destes meios.

• Assim, chegamos à razão da hipnose ser tão eficaz na simplificação da terapia: as percepções, crenças e atitudes dissonantes se abstêm de interferir com a sugestão (e assim com o condicionamento). Como disse Pavlov: O comando do hipnotizador, em correspondência com a lei geral, concentra a excitação no indivíduo (que está numa condição de inibição parcial) em alguma região clara e distintamente estreita, ao mesmo tempo intensificando (por indução negativa) a inibição do resto do córtex e dessa maneira abolindo todos os efeitos conflitantes dos estímulos contemporâneos (percepções atuais) e sinais deixados por aqueles anteriormente recebidos (crenças e atitudes prévias). Isto explica a grande e insuperável influência das sugestões como um es- 123 tímulo durante a hipnose, bem como logo após esta” (Pavlov, 1960, p 407).

• Como exemplo, vamos considerar que queremos mudar a autoimagem de um paciente daquela de uma pessoa incompetente para uma mais autoconfiante. Se sob circunstâncias comuns sugeríssemos que ele não mais se sentisse incompetente, isto muito provavelmente teria pouco êxito. Isto ocorre por que a autoimagem negativa do paciente, geralmente sempre presente e inteiramente dominante, rapidamente suprime qualquer imagem positiva sugerida, ou pelo menos evitaria que esta fosse muito vívida ou real. Mas no estado hipnótico super sugestivo as condições são diferentes. A autoimagem negativa do paciente é mais facilmente inibida e, portanto, deve ser menos propensa a interferir quando evocamos a autoimagem positiva através da sugestão. Como resultado, o condicionamento pode acontecer e novas associações podem ser feitas.

A pessoa pode autenticamente imaginar-se se sentindo autoconfiante em várias situações e estas novas associações condicionadas, por sua vez, podem resultar em um novo comportamento. Esta nova atitude pode agora tornar-se permanente, por meio de auto reforço, assim como sua velha atitude negativa tinha sido mantida estável pelo autor reforço. Enquanto o paciente tem atitudes negativas, estas são auto reforçadas. Elas fazem com que ele se sinta tenso, aja inoportunamente e cometa muitos erros. Além disso, ele provavelmente não acreditaria em qualquer elogio ou qualquer ocorrência positiva, caso aconteçam. Mas se esta auto imagem negativa tiver sido substituída por uma positiva, o ciclo oposto pode resultar. Ao ser mais confiante e descontraído, ele naturalmente tenderá a ser mais aceito. Além disso, ele estará agora mais aberto a acreditar e aceitar os elogios e resultados positivos.

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Fonte: A Hipnose sem Segredos – André Percia, Ca 11, pg 113

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Causas e Efeitos da Depressão No Cérebro

O cérebro é formado por células, os neurônios, que se comunicam por meio de substâncias chamadas neurotransmissores. Quando uma pessoa está em depressão, alguns neurotransmissores, por algum motivo, não circulam como deveriam. As causas são diversas, como predisposição genética, personalidade melancólica, vivência de situações desgastantes ou traumáticas, abuso de drogas ou álcool e algumas doenças cerebrais.

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